Septicemia: o que é e como tratar

Hoje vamos falar de uma doença grave que atinge todo o corpo. A septicemia, também chamada de sepse, é um problema ligado a um processo inflamatório que acaba atingindo todo o organismo.

Esse mal é desencadeado por alguma infecção, originada por bactérias, fungos ou vírus. Assim como em qualquer outra infecção, o corpo reage para combatê-la. Só que, na septicemia, essa reação é muito maior do que deveria. Isso causa uma intensa inflamação no organismo do paciente.

Popularmente, a septicemia, ou sepse, é conhecida como infecção generalizada ou no sangue. Ela está ligada a ambientes hospitalares. Mas cerca de 8 a cada 10 casos dessa doença começam fora do hospital. Por isso é importante sabermos mais sobre essa condição.

Porque ocorre a septicemia?

Toda vez que qualquer tipo de bactéria, vírus ou fungo ataca nosso organismo, ele reage e contra-ataca o agente invasor. O organismo, então, libera mediadores químicos para combater o inimigo. São eles que causam a inflamação e não o invasor.

Assim, podemos dizer que a inflamação é uma aliada do nosso corpo e é um sinal que ele está tentando combater algo. Mas quando uma infecção não é tratada, ela se espalha para outros órgãos e chega até o sangue.

Nesse caso, o organismo precisa agir em vários pontos do corpo ao mesmo tempo. E assim sendo, ele fica confuso. Podemos imaginar o cenário de uma guerra, onde um exército precisa agir em vários frontes ao mesmo tempo.

Se, normalmente, já é difícil combater o inimigo, imagina combatê-lo quando ele ataca de todos os lados? Assim, o processo inflamatório criado pelo organismo se torna difuso, exagerado, e pode levar à morte.

Mas todos podem sofrer com isso?

A resposta é sim. Qualquer pessoa pode ter septicemia, pois ela é capaz de surgir em qualquer um que tenha uma infecção não tratada. Mas essa condição é mais comum em recém-nascidos e em idosos, pois seus sistemas imunológicos são mais fracos. Pessoas com alguma doença autoimune e os imunodeprimidos também são mais suscetíveis a essa doença.

Sendo assim, alguns tipos de infecções são as grandes responsáveis pela septicemia:

  • Pneumonia;
  • Infecção do trato urinário;
  • Infecção intestinal;
  • Por fim, infecção de pele.

Sintomas da septicemia

A septicemia ocorre quando já há uma outra infecção no organismo. Assim, os sintomas dessa primeira infecção se tornam mais graves conforme sua evolução. Mas a septicemia apresenta sintomas específicos:

  • Febre acima de 38°C;
  • Pressão baixa;
  • Respiração rápida, com mais de 20 ciclos por minuto;
  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Diminuição de urina;
  • Confusão mental e mesmo desmaio;
  • Em exames de sangue: leucócitos acima de 12.000 ou abaixo de 4.000 cel/mm3.

Como podemos perceber, a maioria dos sintomas surgem em qualquer tipo de infecção. Isso não quer dizer que o paciente está em estado grave. Em primeiro lugar, você precisa ficar de olho na evolução do quadro. Até uma simples gripe pode desencadear sintomas de septicemia.

Só que a diferença está no comportamento do paciente ao passar dos dias. Se a febre não baixar e ele começar a ficar mais cansado e apático, a pessoa deve ir para uma emergência imediatamente. Uma septicemia se torna grave quando o indivíduo começa a apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Piora na função dos rins;
  • Diminuição da função do coração;
  • Alterações na coagulação sanguínea;
  • Dificuldade em respirar;
  • Pressão muito baixa;
  • Alteração do estado de consciência.

Como é feito o diagnóstico dessa doença?

O diagnóstico precisa ser feito no hospital. Um exame clínico completo é importante. Além disso, o ideal e fazer exames laboratoriais. Um dos mais eficazes é o de hemocultura. Ele identifica qual tipo de microrganismo está atacando o paciente.

No Brasil, o grande problema é a estrutura das emergências. Muitos pacientes vão a óbito por conta de um atendimento lento e inadequado no pronto-socorro. O diagnóstico tardio é o grande causador de mortes por septicemia. Por isso é importante conhecer essa doença e saber identificar os sintomas.

Além dos exames de sangue, o médico poderá solicitar outros testes após fazer o levantamento do histórico do paciente:

  • Radiografia;
  • Exame de urina;
  • Ultrassom.

Tratamento para a septicemia

Pessoas com a doença devem iniciar o tratamento o quanto antes. Ele inclui uso de antibióticos, aplicação de soro para hidratação e normalização da pressão. Após o médico ter em mãos os resultados dos exames, ele pode mudar o tratamento, de acordo com o que está causando a septicemia.

Pode ser receitado um antibiótico específico, quando o médico tiver conhecimento do tipo de bactéria que está no organismo do paciente. Se fungos ou vírus causarem a septicemia, o médico usará outros remédios.

A septicemia é contagiosa?

A septicemia não pode ser transmitida de uma pessoa para a outra. Mas é preciso deixar claro uma situação. Se ela for causada por uma meningite, que é contagiosa, ter contato com esse paciente pode trazer um risco de transmissão dessa doença.

Ou seja, alguns males que causam a septicemia podem ser contagiosos. Além disso, a pessoa também pode contrair a infecção que está causando a septicemia.

É possível prevenir essa doença?

É possível diminuir o risco de ter septicemia ao prevenir o surgimento de infecções no organismo. Se o paciente for imunossuprimido, por exemplo, precisa ter ainda mais atenção para evitar esse problema.

Assim, adotar hábitos saudáveis e de higiene é essencial para evitar qualquer complicação relacionada a septicemia. Como forma de prevenção, podemos citar:

  • Manter todas as vacinas em dia, pois elas combatem várias doenças infecciosas;
  • Se o paciente possuir alguma doença crônica, precisa mantê-la sob controle;
  • Evite consumir alimentos em locais desconhecidos ou suspeitos;
  • Higienize sempre as mãos antes das refeições, antes de cozinhar e após ir ao banheiro;
  • Utilize álcool em gel sempre que possível;
  • Quando houver alguma infecção, faça o tratamento de forma correta, tomando os antibióticos até o tempo estipulado pelo médico;
  • Não se automedique.

Quando a doença já está presente, procure um médico o quanto antes e não tome antibióticos por conta própria. Em ambientes hospitalares, higienize sempre as mãos e evite o máximo tocar objetos. O álcool gel também é muito útil nesses ambientes.