Síndrome de Kawasaki: o que é e por que é tão perigosa para crianças?

Hoje vamos falar da síndrome de Kawasaki. Essa doença foi descoberta em 1967, e é considerada rara, mas vem sendo relatada em crianças infectadas pelo Covid-19.

A síndrome de Kawasaki foi descrida pela primeira vez pelo pediatra japonês Tomisaku Kawasaki. Ela é uma doença inflamatória que atinge crianças entre 1 e 5 anos de idade. Dessa forma, o problema acomete as artérias de tamanho médio, sobretudo as artérias coronárias, criando uma vasculite.

A ciência ainda não sabe a origem dessa condição, que pode causar diversos problemas para a criança. Isso inclui miocardite aguda e arritmias. A síndrome de Kawasaki, conforme se agrava, forma aneurismas das artérias coronárias. Ela pode chegar aos tecidos extravasculares, atingindo o pâncreas, rins e linfonodos, por exemplo.

Nos últimos meses, países como Reino Unido, França, Estados Unidos e Itália relatam que algumas crianças infectadas pelo coronavírus tiveram algo parecido à síndrome de Kawasaki. Assim sendo, a seguir vamos saber mais sobre essa doença, seus sintomas e como tratá-la.

Como surge a síndrome de Kawasaki?

A ciência ainda desconhece a principal causa dessa doença. Mas estudos indicam que ela surge a partir de uma infecção ou desequilíbrio no sistema imunológico. Além disso, crianças com alguma predisposição genética também estão mais suscetíveis a ela.

Essa doença atinge crianças no mundo todo. Apenas nos Estados Unidos, por exemplo, 3.000 a 5.000 casos são registrados anualmente. Apesar de poder atingir adolescentes e adultos, cerca de 80% dos casos atinge crianças menores de 5 anos. Ainda não há uma forma de prevenção conhecida pela medicina.

Sintomas dessa doença

A síndrome de Kawasaki apresenta sintomas progressivos. Ou seja, eles evoluem conforma o passar do tempo. Assim, ela pode ser dividida em 3 fases principais.

Na primeira fase, aparecem os primeiros sintomas, os mais gerais e muitos deles não indicam algo sério. Entre os principais sintomas da primeira fase da doença, estão:

  • Febre acima dos 39°C por mais de cinco dias;
  • Olhos, língua, lábios, garganta, palmas das mãos e pés vermelhos;
  • Além disso, língua e lábios também inchados;
  • Ínguas na região do pescoço;
  • Por fim, manchas avermelhadas por toda a pele e, nos bebês, na região da fralda.

Como essa doença ocorre muito em bebês, o principal sintoma nessa primeira fase é a febre alta. Isso é um sinal de que o pediatra precisa ser procurado, já que esse aspecto é abrangente e poderia indicar outras doenças.

A segunda fase dessa síndrome é a mais difícil e pode trazer as maiores complicações para a criança. Nela há a descamação da pele, diarreia aguda, dor abdominal, vômitos e dor nas articulações. Esses sintomas duram mais ou menos duas semanas.

Por fim, na terceira fase, a doença regride e os sintomas começa a desaparecer até sumirem por completo.

Diagnóstico e tratamento da síndrome de Kawasaki

O diagnóstico precoce é muito importante já que 1 em cada 5 crianças apresenta algum problema cardíaco por causa da doença. Algumas também apresentam lesões permanentes, mas isso é raro.

A confirmação do diagnóstico se dá sobretudo por um exame clínico do médico. O profissional vai observar os sintomas e a duração da febre no paciente. Além disso, pode ser preciso fazer outros exames, como, por exemplo:

  • Exames de sangue;
  • Eletrocardiograma;
  • Cardiograma;
  • Raio-X do tórax.

Esses exames procuram identificar se há lesões nos vasos desses órgãos para o médico decidir qual será o melhor tratamento.

O tratamento é feito com o objetivo de diminuir os sintomas incômodos. São administrados sobretudo remédios para diminuir o processo de inflamação no corpo. Dessa forma, o tratamento consiste em:

  • Usar aspirina via oral para diminuir a febre e inflamação;
  • Além disso, uso endovenoso de gamaglobulina, uma proteína do plasma sanguíneo, que ajuda no sistema imunológico.

O uso de aspirina pode ser prolongado para evitar formação de coágulos e lesões nas artérias do coração. Mas o médico deve ter muito cuidado, pois consumir o remédio por um longo período pode causar outras doenças. Assim, existem outras opções para substitui-lo

A duração do tratamento é indeterminada. O paciente precisa ficar internado até que não corra mais o risco de alguma complicação.

Consequências no futuro

Geralmente, essa doença evolui bem e tende a desaparecer por completo depois de um certo tempo. Mas o tratamento é importante para evitar lesões e outras complicações nas artérias coronárias.

Uma criança que passou pela síndrome de Kawasaki pode levar uma vida normal. Só que todas aquelas que tiveram alguma alteração nas artérias coronárias precisam de ajuda médica durante toda a vida. Dependendo do tamanho das lesões, o funcionamento do coração é prejudicado. Nesse sentido, um tratamento permanente pode ser necessário.

Síndrome de Kawasaki e coronavírus

Ainda não há 100% de certeza de que crianças tem essa síndrome após a infecção pelo coronavírus. No entanto, o Reino Unido já identificou mais de 100 crianças que apresentaram sintomas semelhantes a esse problema e que passaram pelo Covid-19.

Todas essas crianças deram entrada em hospitais com sintomas como febre alta, erupção cutânea, dor, inchaço e olhos vermelhos. A maioria não teve maiores problemas, mas alguns casos tiveram problemas mais graves relacionados ao coração e ao sistema circulatório.

Os médicos estão descrevendo essa condição como “novo fenômeno”, pois não há a certeza de que se trata da síndrome de Kawasaki. Mas, independente disso, os profissionais estão convictos que esse problema está relacionado ao coronavírus.

Tal convicção se justifica. Afinal de contas, as crianças apresentam esses sintomas depois de até 6 semanas da infecção pelo coronavírus.

Outros países também estão preocupados

Países como Estados Unidos, França, Espanha e Holanda também registram casos parecidos com a síndrome de Kawasaki em crianças infectadas pelo coronavírus.

Em Nova York, 82 casos muito parecidos com essa síndrome foram identificados nos últimos meses em crianças. Desse total, 53 pacientes testaram positivo para o Covid-19 ou tiveram anticorpos para o vírus.

Em Bérgamo, na Itália, ao menos 10 crianças foram diagnosticadas com essa síndrome após passarem pelo Covid-19. Vale lembrar que essa localidade foi a mais atingida pelo coronavírus no país.  Agora, pesquisadores do mundo todo estão trabalhando para esclarecer essa questão.