Gravidez psicológica: entenda como funciona esse fenômeno

Hoje vamos falar da gravidez psicológica. Esse é um assunto muito sério no universo feminino. Também chamada de pseudociese, essa é uma condição em que a mulher tem a certeza de que está gravida. No entanto, não há feto no útero. Mesmo assim, a mulher apresenta quase todos os sinais de uma gravidez, incluindo alterações no corpo e mudanças hormonais.

Os testes de gravidez podem comprovar que não existe feto. No entanto, muitas vezes o desejo de engravidar é tão grande que a mulher convive com a gravidez psicológica por meses. Assim sendo, há inclusive casos de mulheres que chegam a ir a um hospital, para realizar o parto.

Esse problema psicológico pode surgir em mulheres que desejam muito engravidar ou naquelas que tem muito medo, sobretudo adolescentes. É claro que o desejo de ser mãe e não conseguir é o grande gatilho para esse quadro, pois a mulher fica frágil e vulnerável a diversos transtornos. Assim, é muito importante o tratamento psicológico e também clínico. A seguir, vamos saber mais sobre essa condição.

Causas da gravidez psicológica

Além do enorme desejo de engravidar ou o medo disso acontecer, a gravidez psicológica pode surgir a partir de outras condições, como um trauma e estresse.

Mulheres que passaram por abortos e que acumulam uma carga emocional muito grande podem desenvolver esse quadro. Além disso, problemas conjugais e depressão também favorecem o aparecimento desse distúrbio. Na maioria das vezes, é um conjunto desses e outros fatores que fazem a mulher acreditar que está grávida.

O estado emocional é responsável por mudanças hormonais e isso faz com que os sintomas de uma gravidez apareçam. Mesmo assim, os testes de gravidez não apresentarão resultados positivos.

Essa condição afeta mulheres de todas as idades, etnias e condições sociais. Porém, ela é mais comum em mulheres casadas, entre 20 e 40 anos. Em casos raros, mulheres mais velhas e crianças podem desenvolver esse quadro. A incidência de gravidez psicológica é considerada muito baixa. Estima-se que cerca de apenas 0,005% das mulheres grávidas sofrem, na verdade, de gravidez psicológica.

Mas por outro lado, antigamente, esse número era maior. No entanto, os médicos acreditam que a maior presença da mulher em vários setores da sociedade diminuiu a pressão que se tinha em ser mãe. Isso fez com que os casos de gravidez psicológica diminuíssem com o passar do tempo.

Sintomas desse distúrbio

A gravidez psicológica apresenta os mesmos sintomas de uma gravidez normal. Isso ocorre por causa dos hormônios. Assim, os principais são:

  • Menstruação atrasada;
  • Enjoos;
  • Além disso, aumento das mamas;
  • Produção de leite materno;
  • Contrações e a sensação de que o feto está se mexendo.

Dessa forma, é muito fácil a mulher realmente pensar que está grávida, principalmente conforme os sintomas de uma gravidez real aparecem. Mas é preciso observar duas situações que podem indicar uma gravidez psicológica:

  • Testes de gravidez negativos;
  • Presença de alguma doença psicológica pré-existente na mulher.

Além dos testes, esse quadro pode ser confirmado após a realização de um ultrassom e de exames de sangue e urina específicos. É essencial que a mulher tenha sempre o acompanhamento de um médico ginecologista e de um psicólogo, pois pode ser difícil ela aceitar esse quadro.

Em busca de tratamento psicológico

O tratamento psicológico é fundamental nesse caso para que a mulher consiga lidar com esse distúrbio. Geralmente, mesmo com testes negativos de gravidez, a mulher continua acreditando que está grávida. Assim, é necessário o início de um tratamento com um psicólogo especializado no assunto.

A terapia terá como objetivo descobrir as razões de a mulher ter desenvolvido uma gravidez psicológica. Dessa forma, o profissional a ajudará a lidar com isso. Após se dar conta que realmente não está grávida, a mulher pode entrar em profunda depressão. Por isso, o acompanhamento com um psiquiatra também é necessário.

Outras formas de lidar com a gravidez psicológica

Além de procurar ajuda psicológica para tratar o problema em si, existem outras ações que podem ajudar a mulher nesse processo:

  • Controlar a ansiedade: como a ansiedade é uma das possíveis causas da gravidez psicológica, controlá-la é fundamental. A ansiedade é causada pelo grande desejo de engravidar e aumenta diante da dificuldade de ser mãe. Por isso que a ajuda de um psiquiatra é importante. Ele pode receitar alguns remédios para diminuir a ansiedade. Receitas caseiras também são muito bem-vindas, como alguns tipos de chás que possuem propriedades relaxantes;
  • Resolver problemas conjugais: esse tipo de situação influencia muito o quadro de gravidez psicológica. Isso ocorre sobretudo quando a mulher se sente traída e abandonada. Assim, a insegurança pode levar a essa condição. Por conta de uma baixa autoestima, a mulher pensa que somente uma gravidez pode salvar o relacionamento. Vimos muito isso em filmes e novelas, mas é um fenômeno real e pode ser um desencadeador de uma falsa gravidez;
  • Tratar a infertilidade: diante da dificuldade de engravidar, a mulher deve procurar ajuda médica especializada. Hoje em dia existem muitos tratamentos modernos que podem resolver esse problema. Além disso, a menopausa precoce também pode dificultar a gravidez. Assim, é essencial o acompanhamento com um ginecologista de confiança. Uma terapia hormonal pode ser indicada.

Ajuda familiar para a gravidez psicológica

A ajuda da família é importante diante dessa condição. Julgamentos e falta de apoio só pioram o quadro. A mulher precisa se sentir acolhida e protegida.

A maioria das mulheres diagnosticadas com gravidez psicológica dizem apresentar tristeza, melancolia, ansiedade, e algum arrependimento. Os familiares podem ajudar nesse processo respeitando a privacidade e as decisões da mulher. É normal um certo isolamento social durante todo esse processo e isso deve ser compreendido.

Além disso, a gravidez psicológica pode causar diversos outros problemas para a mulher. Nos casos mais graves, as vítimas dessa condição podem chegar a um trabalho de parto e pensar que houve um aborto. As consequências disso tudo são enormes. Algumas mulheres desenvolvem depressão profunda e quadros de psicose.

Diante disso, é importante o apoio da família para que a mulher consiga dar a volta por cima e superar esse quadro.