Disautonomia: o que é e como tratar

Você conhece o termo disautonomia? Com certeza você já se deparou com alguma situação de tensão no dia a dia. Além disso, também já deve ter percebido que seu corpo age de forma diferente nessas circunstâncias. Essas “reações” do corpo a certas situações são causadas pelo sistema nervoso autônomo (SNA).

Ele controla vários fatores como, por exemplo, temperatura corporal, pressão arterial e frequência cardíaca. O sistema nervoso autônomo é formado por dois grandes sistemas: o simpático e o parassimpático.

Mas o SNA pode apresentar alguns transtornos que prejudicam sua atuação no organismo. Um desses transtornos é a disautonomia. Antes de conhecermos mais sobre essa condição, precisamos entender como funcionam os sistemas simpáticos e parassimpáticos.

Sistema simpático

O sistema simpático tem a missão de preparar o corpo para algumas situações:

  • Estresse;
  • Emergência;
  • Tensão;
  • Perigo eminente.

Assim, esse sistema age da seguinte forma no nosso organismo:

  • Aumenta a frequência cardíaca;
  • Dilata as vias respiratórias para facilitar a respiração;
  • Aumenta as forças das contrações do coração;
  • Além disso, aumenta a força muscular;
  • Faz com que o corpo libere mais energia;
  • Dilata as pupilas;
  • Por fim, reduz alguns processos como a digestão e urina.

Diante disso, podemos citar um exemplo prático da atuação do sistema simpático. Uma pessoa está prestes a atravessar a rua em um local movimentado. Assim, ela já está na via quando percebe um caminhão vindo em alta velocidade em sua direção.

É nesse momento que o sistema simpático começa a agir. Ele vai criar uma alta tensão no organismo do indivíduo, alterando vários aspectos, como vimos acima. Dessa forma, esse sistema também é colocado em ação em outras situações menos perigosas como, por exemplo, na véspera de uma prova.

Sistema parassimpático

Após o corpo passar pela situação de grande estresse eu emergência, ele precisa voltar ao seu estado normal. Mas é aí que entra o sistema parassimpático. Seu objetivo principal é conservar e restaurar os processos do nosso corpo. Assim, suas funções:

  • Reduzem a frequência cardíaca;
  • Diminuem a pressão arterial;
  • Além disso, estimulam o processo digestivo da pessoa;
  • Por fim, eliminam secreções;

Sendo assim, podemos utilizar o mesmo exemplo anterior. Quando a pessoa está prestes a atravessar a rua e vê um caminhão vindo em sua direção, o sistema simpático age. Suponhamos que o veículo consiga parar a tempo e a pessoa termine de atravessar a rua com segurança.

A sensação de perigo e tensão começa a diminuir e o corpo começa a voltar ao seu estado natural. É aí que o sistema parassimpático está agindo, com o objetivo de devolver ao organismo a normalidade.

Além disso, os sistemas simpáticos e parassimpáticos estão também muito envolvidos nas relações sexuais, já que podem controlar as ações voluntárias.

O que é disautonomia?

Agora que entendemos como funciona o sistema nervoso autônomo de forma geral, vamos conhecer mais sobre a disautonomia.

Esse transtorno provoca alterações no SNA. Além disso, ele também faz com que os sistemas simpático e parassimpático apresentem ações contrárias do esperado para determinada situação.

Podemos voltar ao exemplo anterior. Ao tentar atravessar a rua e perceber um caminhão vindo em alta velocidade em sua direção, o sistema simpático altera o organismo. Ele faz com que a pressão arterial e a frequência cardíaca aumentem, por exemplo. Esse seria o procedimento padrão.

Mas o organismo de uma pessoa com disautonomia vai agir diferente. Ele vai fazer o inverso, ou seja, diminuir a pressão e a frequência cardíaca, diminuir a força e causar até sonolência.

O que causa esse transtorno?

As causas desse transtorno ainda não são bem definidas pela ciência. Mas ele pode surgir como consequência de algumas doenças, como por exemplo:

  • Diabetes;
  • Amiloidose;
  • Fibromialgia;
  • Mieloma múltiplo;
  • Porfiria;
  • Trauma e lesões no sistema nervoso central;
  • Esclerose múltipla;
  • Botulismo;
  • Doença de Parkinson;
  • Tumor cerebral.

Mas além desses, outros fatores também podem aumentar a chance de incidência da disautonomia:

  • Uso excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Uso excessivo de alguns medicamentos, como antidepressivos.

Além disso a disautonomia atinge pessoas de todas as faixas etárias, de todos os sexos e raças.

Sintomas do problema

Muitas vezes os sintomas não são visíveis. Quando aparecem, os sintomas podem ser diferentes dependendo da pessoa. Mas os principais são:

  • Tonturas e desmaios;
  • Náuseas e vômitos;
  • Fraqueza muscular;
  • Falta de ar;
  • Perda de memória;
  • Alterações nos batimentos cardíacos;
  • Tremores;
  • Problemas de visão, visão turva ou em túnel;
  • Suor excessivo;
  • Alterações no funcionamento do intestino;
  • Insônia ou sonolência em excesso.

Na maioria das vezes, apenas a análise dos sintomas não é suficiente para confirmar o diagnóstico. Assim sendo, o médico precisa solicitar alguns exames e utilizar alguns aparelhos. Por exemplo, queda de pressão ou aumento dos batimentos cardíacos são identificados com ajuda de aparelhos específicos.

A pessoa que apresenta alguns dos sintomas citados acima, precisa procurar um neurologista ou um cardiologista. Assim sendo, exames complementares também são importantes, como o teste genético, que identifica alterações nos genes do corpo.

Tipos de disautonomia

Existem muitos tipos de disautonomia. Confira os principais:

  • Síndrome da Taquicardia Ortostática Postural: atinge principalmente os mais jovens, abaixo dos 40 anos. Apresenta sintomas como tontura, falta de ar e dor no peito e aumento dos batimentos cardíacos;
  • Síncope Neurocardiogênica: é o tipo mais comum e causa desmaios constantes;
  • Taquicardia Sinusal Inapropriada: aqui há aceleração constante dos batimentos cardíacos. Mas isso ocorre mesmo quando a pessoa está em repouso ou dormindo;
  • Neuropatia Autonômica Diabética: nesse caso, as alterações no sistema nervoso autônomo são causadas por conta da diabetes;
  • Disautonomia Pós Viral: ocorre na infância causada pela infecção por adenovírus;
  • Disautonomia Generalizada: os sintomas são generalizados, mas muito agravados.

Existe tratamento para esse transtorno?

A disautonomia não tem cura, mas há diversos tratamentos disponíveis para amenizar os sintomas. Como o sistema cardiovascular é o mais afetado, algumas medidas precisam ser adotadas:

  • Adotar a prática de exercícios físicos, com acompanhamento médico;
  • Usar meias de compressão, pois melhoram a circulação das pernas;
  • Além disso, beber bastante água;
  • Se necessário, utilizar mediações, de acordo com a indicação do médico.
  • Por fim, em casos mais graves, pode ser necessário o uso de marcapasso ou cirurgia de cardioneuroablação, que evita o uso de marcapasso.

De forma geral, o paciente com disautonomia pode controlar e aliviar os sintomas com algumas ações:

  • Sessões de fisioterapia para fortalecer os movimentos corporais;
  • Atividades com fonoaudióloga;
  • Além disso, ajuda psicológica.

Como você pode ver, a disautonomia é uma condição diferente, que pode trazer vários problemas para quem a tem. Mas com um tratamento adequado, você consegue evitar os principais sintomas do transtorno e ter uma vida saudável.