Junho Violeta: o mês da conscientização do ceratocone

Junho é o mês de conscientização e prevenção do ceratocone. Essa doença atinge a córnea, é considerada rara e não tem cura. Ela causa uma deformidade na córnea, alterando o formato do local. A região central do olho começa a ficar mais fina do que o normal, dando à córnea o formato de um cone.

Assim, essa deformidade causa problemas de visão para o paciente. O formato alterado impede ou prejudica a entrada da luz, causando um elevado grau de astigmatismo e miopia. Essa doença também causa outras complicações ao indivíduo.

O ceratocone, na maioria das vezes, atinge os dois olhos e afeta pessoas jovens, geralmente até os 25 anos. Além disso, essa deformidade ocorre de maneira assimétrica. Ou seja, um olho pode ser mais prejudicado que o outro.

Como não existe cura, os médicos optam por alguns tratamentos que melhoram a situação clínica do paciente. Por isso, é importante conhecer bem a doença e alertar o médico em caso de alguma situação diferente nos olhos.

Causas do ceratocone

Não existe uma causa definitiva para o surgimento do ceratocone. Existem, no entanto, alguns fatores que aumentam a chance da incidência dessa doença:

  • Fator genético: a hereditariedade é um dos principais fatores para o ceratocone. Cerca de 1% a 5% da população possui algum defeito genético que pode desencadear essa doença;
  • Esfregar ou coçar os olhos de forma constante: esses hábitos aumentam a probabilidade do ceratocone;
  • Alergias oculares: além da própria alergia, a necessidade de coçar os olhos por causa dela torna paciente mais suscetível à essa enfermidade;
  • Outros tipos de alergias: como asma e rinite;
  • Por fim, relação com outras síndromes: quem possui síndrome de Down ou alguma alteração ocular congênita tem mais risco de desenvolver o ceratocone.

Sintomas e diagnóstico do ceratocone

Um indivíduo com alguma queixa ocular e que tenha relação com um ou mais fatores citados anteriormente deve ficar atento. O ideal é procurar um oftalmologista, mas um clínico geral pode fazer uma primeira avaliação e encaminhar o paciente ao profissional correto. Sendo assim, os principais sintomas que podem indicar o ceratocone são:

  • Diminuição da visão na infância e adolescência;
  • Necessidade de alterar o grau dos óculos seguidamente;
  • Além disso, olhos vermelhos e inflamados;
  • Histórico na família de ceratocone;
  • Aumento da miopia e astigmatismo;
  • Necessidade de coçar os olhos com frequência;
  • Fotofobia, ou seja, sensibilidade à luz natural ou artificial;
  • Por fim lacrimejamento, ou seja, excesso de lágrimas nos olhos.

O diagnóstico do ceratocone é feito por meio de exame oftalmológico, com o auxílio de exames de imagem da córnea. Hoje em dia, o exame mais moderno para diagnosticar o ceratocone é a tomografia da córnea. O diagnóstico em uma fase inicial permite que o paciente tenha uma vida praticamente normal.

As quatro fases do ceratocone

Os sintomas dessa doença aparecem gradativamente e vão se intensificando com o passar do tempo. Os sintomas não aparecem todos de uma vez só. Assim, os médicos identificam quatro fases principais do ceratocone:

  • 1° estágio: necessidade de uso de óculos e um baixo grau de astigmatismo;
  • 2° estágio: aumento do astigmatismo e saliência visível da córnea com a necessidade de utilização de lentes de contato;
  • 3° estágio: comprometimento da córnea e forma de cone visível;
  • 4° estágio: as lentes de contato não se fixam mais aos olhos, devido à deformidade da córnea. Por fim, a visão fica muito prejudicada e, em casos extremos, há a necessidade de transplante.

Tratamentos mais utilizados para a doença

Como não existe uma cura definitiva, os tratamentos para o ceratocone tem o objetivo de controlar a doença, diminuindo os sintomas. Assim, o tratamento varia de acordo com o grau da doença:

  • Lentes de contato e óculos: podem ajudar a diminuir os sintomas em estágio inicial da doença, melhorando a visão do paciente;
  • Implante de anel intracorneano: esse tratamento é indicado para pessoas com o ceratocone em avanço ou ainda para aqueles intolerantes à lentes de contato. Assim, ele consiste no implante de um anel no interior da córnea com o objetivo de corrigir a deformidade da córnea. Essa técnica não é definitiva e o anel pode ser ajustado ou até trocado. É um procedimento considerado simples e com pouca rejeição;
  • Crosslinking: é um tratamento mais recente, para pessoas com a doença em estágio avançado. Essa técnica consiste, inicialmente, em uma raspagem cirúrgica da córnea. Após, o médico pinga um colírio de vitamina B2 (riboflavina), que age como um oxidante. Na sequência, ele estimula a globo ocular com uma luz ultravioleta. Assim, as ligações corneanas aumentam e ela fica mais rígida. Esse procedimento diminui muito a chance de a doença progredir. O paciente pode voltar para as suas atividades normais no período de dois a três dias. O crosslinking está disponível no SUS desde 2016.

O transplante de córnea é viável para o ceratocone?

O transplante para o ceratocone é indicado apenas em último caso. Nos últimos anos, a medicina evoluiu de uma forma que o ceratocone pode ser identificado em fases iniciais. Desta forma, os tratamentos citados anteriormente costumam apresentar bons resultados e um transplante não se torna necessário.

No entanto, quando a doença está em estágio muito avançado e os tratamentos não correspondem, um transplante pode ser a única saída. Existem dois tipos de transplante de córnea:

  • Transplante Penetrante: nesse caso, toda a espessura da córnea é substituída, com uma anestesia local;
  • Transplante Lamelar: nesse caso, apenas uma parte da córnea é substituída. O transplante lamelar anterior é o mais indicado para o tratamento do ceratocone. Esse tipo de transplante consiste na remoção apenas da parte mais externa da córnea. Também existe o transplante lamelar posterior. Mas esse processo é menos invasivo e apresenta menor taxa de rejeição.

Existe prevenção para a doença?

A principal atitude para a prevenção do ceratocone é realizar consultas periódicas com um oftalmologista de confiança. Além disso, alguns cuidados no dia a dia também podem prevenir o surgimento ou o avanço da doença. Evitar coçar os olhos, por exemplo, é um desses cuidados.

Além disso, se o paciente possui alguma alergia e sente coceira nos olhos, o uso de colírios lubrificantes pode ajudar. A doença evolui até os 40 anos e depois estabiliza. Por isso o ceratocone precisa ser identificado o quanto antes com o objetivo de preservar a visão.