Tudo o que você precisa saber sobre apendicite

Apendicite é a inflamação do apêndice (órgão linfático parecido com o dedo de uma luva). Ele está localizado no ceco, a primeira parte do intestino grosso. O quadro clínico da apendicite se manifesta com maior frequência em indivíduos de 20 a 30 anos.  Essa condição só foi descoberta pelos médicos no ano de 1886. De acordo com dados, a apendicite pode afetar 1 em cada 500 pessoas a cada ano, sobretudo jovens. Além disso, entre as crianças, 4 em cada 1.000 têm o apêndice retirado antes dos 14 anos.

Assim sendo, neste artigo você vai conhecer as principais informações sobre a apendicite, como as causas, sintomas e tratamento.

Causas da apendicite

Entre as principais causas da apendicite podemos citar como a principal a entrada de fezes no apêndice. Este é um sério motivo de irritação e posterior inflamação do órgão.

Outra causa pode ser uma infecção gastrointestinal. Essa condição é provocada por uma bactéria invasora que pode entrar no apêndice. No entanto, existem diversas outras origens possíveis de uma crise de apendicite aguda. Entre elas estão, por exemplo:

  • Pedra na vesícula: a existência de pedras nesse órgão pode bloquear a saída de muco;
  • Pressão dos gânglios linfáticossobre o apêndice por conta de alguma infecção;
  • Rompimento do apêndice devido a traumatismo local, como pancadas fortes na barriga e acidentes de carro;
  • Parasita intestinal: Um verme pode entrar no apêndice e impedir a saída do muco. Isso leva ao aumento de tamanho do órgão e provoca sua ruptura;
  • Por fim, ácumulo de gases dentro do apêndice. Os gases produzidos pelas bactérias que normalmente vivem ali podem se acumular e também fazer crescer o tamanho do órgão.

 Principais sintomas

O sintoma mais característico da apendicite é uma dor abdominal bastante forte. Ela se manifesta do lado direito, que vai crescendo muito com o passar do tempo. Essa dor indica o colapso do sistema digestivo, visto que o intestino para de funcionar.

Existem outros sintomas associados à manifestação da apendicite. Mas eles não são tão evidentes e podem ser atribuídos a outros tipos de doenças. Um deles é a falta de apetite. Outros sintomas que estão vinculados à apendicite são apatia, febre e náuseas. Assim, podemos citar, dentre os sintomas característicos da apendicite:

  • Dor forte no lado direito do abdômen;
  • Falta de apetite;
  • Febre;
  • Náusea;
  • Além disso, vômitos;
  • Calafrios;
  • Por fim, falta de disposição.

Importante! Busque ajuda médica em caso de sintomas

É importante ressaltar que o surgimento desses sintomas de modo muito abrupto deve motivar uma ida imediata ao médico para avaliar a possibilidade de crise de apendicite aguda.

Outra recomendação importante é que você não se recuse a permanecer em um hospital enquanto não existir a clareza do diagnóstico. Isto porque pode ser necessária a realização de uma cirurgia de emergência.

É preciso ter em mente que se a cirurgia não for realizada em tempo hábil, a apendicite pode colocar em risco a vida do paciente.

Diagnóstico da apendicite

Na maioria dos casos, o diagnóstico da apendicite é feito pelos médicos com base em dois processos. Dessa forma, o primeiro é a avaliação clínica, seguida do questionamento do profissional de saúde a respeito dos seus principais sintomas. A partir disso, é possível realizar exames físicos que vão confirmar a existência da doença.

Nesse procedimento, o médico faz a palpação do abdome para identificar o chamado sinal de Blumberg. Esse é um traço médico que se caracteriza pela dor ou piora dela após a compressão da barriga na parte lateral direita inferior.

Caso seja necessário, o médico pode utilizar uma série de outras exames complementares. Dessa forma, entre eles estão o hemograma completo e o ultrassom, que são mais rápidos e com resultados eficientes.

Entretanto, o tipo de exame que pode diagnosticar com precisão absoluta a apendicite é a tomografia abdominal. Esse pode ser considerado o exame definitivo que descarta outras complicações que podem apresentar sintomas semelhantes.

Entre as mulheres, por exemplo, a dor pode se relacionar a algum cisto de ovário ou infecção de trompas. Assim, a tomografia permite eliminar essa possibilidade e ministrar o procedimento adequado para o tratamento.

Tratamento da doença

Como já mencionado, a única forma de tratar a apendicite é por meio de cirurgia. Esta acaba sendo necessária ser realizada emergencialmente. Assim, a operação é a laparoscopia, na qual são feitos 3 pequenos furos, permitindo uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. Outra opção é a cirurgia tradicional. Nela o médico faz um corte na região direita do abdômen e retira o apêndice.

A incisão é pequena e as cicatrizes posteriores são quase imperceptíveis. Essa intervenção cirúrgica pode ser feita também por via laparoscópica. Assim, ela tem os mesmos resultados da cirurgia com campo aberto.

Além disso, o internamento para os casos de cirurgia do apêndice geralmente é rápido e dura cerca de 1 a 2 dias.

Pós operatório

A recuperação completa do paciente ocorre por volta dos 15 dias após a cirurgia. Assim, no caso da cirurgia tradicional, esse período pode ser de até 30 dias. Para o retorno às atividades físicas, o ideal é esperar um período de recuperação de até 3 meses.

No que se refere à alimentação, nos primeiros dias após a realização da cirurgia o indivíduo deve ingerir alimentos ricos em fibras e beber grande volume de líquidos. Outras recomendações importantes são o repouso, evitar levantar objetos pesados, beber bastantes líquidos e não dirigir.  Somente em alguns poucos casos se faz o tratamento clínico antes da cirurgia.

Apendicite em crianças

A cirurgia de apendicite é a causa mais comum de procedimentos hospitalares que precisam ser realizados ainda na infância. Entre os 15 e 25 anos, os jovens do sexo masculino são os mais afetados. Após essa fase, a incidência de casos é a mesma nos dois gêneros. Por isso, se você está na condição de pai ou mãe de jovens nessa faixa etária, fique atento aos sintomas e busque imediatamente ajuda médica caso seja necessário.

Considerações finais

Com as informações abordadas neste artigo, é clara a importância de se manter atento aos sintomas e buscar orientação médica em casos de sintomas semelhantes aos descritos. Isso ganha ainda mais importância quando se observa que não existe procedimentos confirmados de prevenção da doença.

Contudo, existem estudos a respeito que mostram que as pessoas que possuem hábitos saudáveis de vida – como alimentação adequada e prática constante de exercícios físicos –  são menos propensos a ter apendicite aguda em algum momento de sua vida.